Atlântida: a cidade perdida
- 4 de abr. de 2016
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A origem da lenda do continente perdido está, provavelmente, nos diálogos Timeu e Crítias, do filósofo grego Platão (séculos 5 a.C. - 4 a.C.). A Atlântida de Platão seria uma vasta ilha perto do estreito de Gibraltar - ou Pilares de Hércules. Seus habitantes eram descendentes de Poseidon, o deus do mar, com uma mulher comum - cinco pares de gêmeos que receberam do pai terras igualmente divididas e a incumbência de governá-las. Segundo os escritos de Platão, os atlantes eram regidos por leis muito justas, e sua sociedade era organizada em três classes: trabalhadores da cidade (artesãos), do campo e soldados que zelavam por todos. "A cidade servia como modelo de uma sociedade tida por Platão como perfeita, onde tudo o que era preciso para viver estava lá e não haveria necessidade de conquistar outros povos", explica Carlos Eduardo de Oliveira, professor de filosofia antiga da Unesp. "Tanto que a cidade acaba quando seus habitantes resolvem guerrear com seus vizinhos para conquistá-los", completa. Na lenda, Zeus castiga os habitantes por esta atitude e inunda a cidade. Isso seria uma forma de demonstrar como o modelo vigente em Atenas na época, para Platão, não seria o ideal.

A imagem de uma antiga civilização perdida no Atlântico atravessou os anos e entrou para o imaginário de pessoas que acreditam na sua existência e descrevem seus costumes e habitantes em detalhes. Em Atlântida, o Oitavo Continente, o arqueólogo Charles Berlitz relata suas buscas submarinas na suposta região de Atlântida. Para ele, o continente existiu e foi sepultado no fundo do mar por causa da instabilidade do solo oceânico do Atlântico e terremotos.
Há também quem defenda que Platão escreveu os diálogos baseado em uma sociedade real. No livro Fire in the Sea, o geólogo dinamarquês Walter Friederic defende que Atlântida foi inspirada em uma sociedade que existiu onde hoje fica a ilha de Santorini, na Grécia. Há 3500 anos havia na região a ilha de Thera, destruída por ondas gigantes e erupções vulcânicas.
Fonte: http://super.abril.com.br

A primeira sensação é a do medo. Casas que parecem penduradas no alto das rochas, a 300 m de altura. Rochas que foram cortadas ao meio. Algo muito violento aconteceu em Santorini. Uma ilha vertical, diferente de todas as ilhas gregas. Depois vem a sensação de deslumbramento: o mar Egeu é azul marinho.
A Atlântida existiu ou tudo não passou de um delírio de Platão? O filósofo grego descreveu um continente que afundou no Oceano Atlântico, depois de uma catástrofe. A Atlântida, perseguida por tantos aventureiros, estaria debaixo do mar Santorini.
O pescador Petrus Calamatus acredita que sim. “Um dia, as provas vão aparecer”. São duas ilhas: Neakameni e Paleakameni. Depois tem a cratera do grande vulcão, foi ele que destruiu a civilização antiga. O centro da ilha de Santorini afundou. A grande erupção aconteceu no ano de 1.500 a.C. As rochas possuem camadas de cores diferentes.
Até na beira do mar, onde não há casas, os gregos constroem igrejas. O fascínio das ilhas gregas ainda está no seu povo humilde. E por mais que o turismo queira comprar os seus terraços, os antigos moradores não saem. Para não frear o vento com as linhas retas, esta ilha criou as formas curvas - que não existem no resto do país.

O vento é presença constante. O vento faz com que a uva cresça rasteira, enrolada como uma cobra. “Para a próxima colheita, em agosto, é preciso amarrar desde já. Se não, o vento vai devastar a nossa plantação”. É a historia de Santorini: tentativas dramáticas de acomodação numa terra hostil, que já foi chamada de Ilha do Diabo.
O vulcão assusta e protege. As casas são térmicas: quente no inverno e fresca no verão. As rochas são feitas de uma massa vulcânica, dura e maleável, por isso fazem tetos curvados. Uma moradora comenta: “O vulcão salvou vidas na Segunda Guerra. Aviões alemães vieram bombardear a ilha. O Neakameni entrou em erupção e os aviões fugiram”.
O que a lava destruiu há milhares de anos ainda é uma incógnita. Agora, os restos da civilização Akrotires - que o vulcão arrasou 3.500 anos atrás – estão sendo desenterrados. O arqueólogo Dumas diz que as escavações começaram em 1967 e só uma pequena parte da cidade soterrada foi trazida à luz. Esqueletos nunca foram encontrados.
Os afrescos achados nas ruínas mostram feições quase orientais. A exuberância das faces levou a ciência a acreditar que Atlântida pudesse ter sido aqui. Platão, na sua obra imortal, descrevia uma civilização colorida e refinada. O filosofo criou uma sociedade perfeita, destruída pela ira dos deuses.
A Atlântida é uma utopia, um mito. Platão queria mostrar ao povo que, se não cumprisse as leis, uma tragédia poderia acontecer. A Atlântida está dentro de nós. “A vida aqui aparece muito forte. A cada cinco minutos mudam as cores e as luzes. Há sempre algo novo. Não me canso nunca desta paisagem”, diz o pintor Konstantinus.
Se a história que os gregos guardam há tantas gerações aconteceu, estamos no centro do mistério. Teriam partido daqui as chamas que enterraram a civilização dos sonhos. O segredo está mesmo guardado no fundo da terra. Lá onde talvez o homem nunca possa chegar. Se a Atlântida existiu aqui, ninguém sabe.
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